O Silêncio de guerra

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Já perdi a conta de quantos mandei para o silêncio
E agora estou cara o rosto com o inimigo
Há um frio de bombas a um frio silêncio de rajadas de metralhadora
Senti uma mistura de amor, ódios, raiva e medo.
Há o arco-íres e vermelho
O mundo às vezes se cala dai não escuto nada nem o som da granada
Que eu próprio lancei.
Em uma esquina um encontro inesperado o inimigo dispara...
Minha visão se cala meu sorriso se embala minhas mãos estão duras como
Os corações dos generais mais ainda conseguem calar quem me calou.
Minha pele e tábua, meu corpo e o chão que junto com outros formam
O tapete da guerra.
A guerra? Esta para mim acabou, meu ouvido alago em mar de sangue...
Meus olhos inversos em lagrimas de dor.
Meu inimigo dormindo um sono dos injustos...
OH! Deus o general chegou.
Tudo bem soldado?
Positivo senhor!!!
E o mundo se calou

[...]

Morta, Viva

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MORTA, VIVA

Margarida e uma senhora de mais de 100 anos, 120 para ser preciso... estava mais baixa em relação a quando tinha vinte anos, vestia um vestido branco e prendia os cabelos da mesma cor com grampos de metal, no pequenos pés chinelos de dedo, não se sentia cansada, não tinha problemas de memória e quando alguém perguntava tinha apernas 60 anos, não queria nem um repórter perguntando para ela o segredo da longa vida, não estava disposta a dizer que a anos enganava a morte...
Margaria apanhou a lata de café dentro do armário de sua casa e depois aonde a passos lentos para o fogão de sua casa, não porque precisasse andar devagar mais porque aprendera a não ter pressa.... quando digo que ela enganou a morte não estou falando de escapar de acidentes ou doenças digo que ela....
A senhor sentiu uma presença na cozinha, um vento frio tocou sua nua; mais não se virou logo, esperou despejar toda a agua no coador com o pó de café e depois colocou a chaleira na pia e se virou devagar olhando com aqueles doces olho azuis.
- Ola Margarida. - Sentado há mesa estava um menino, aparentando ter pouco mais de sete anos, calças sociais brancas, assim como o terno e a gravata, sapatos sociais na mesma cor e um penteado com um topete alto que lembrava os anos 60 eles se olharam nos olhos com o olhar de quem já se conhece a muitos anos, o menino era a personificação da morte de Margarida, sempre apareceu assim mesmo quando ela pediu que ele tomasse outra forma, o sol entrava quente pela porta aberta da cozinha o menino sentiu o cheiro de café e falou. - Quanto tempo Margarida, sabe você tem sido minha única cliente em anos. O tom era de acusação.
- Aceita café Didi? O menino olhou para o chão e sorriu, depois se levantou e foi na direção da mulher que já servia em uma chicara vermelho.
- Ainda lembra do nome que escolheu para mim não e? O que e estranho. - O menino bebeu antes de continuar. - Alguns senhores de sua idade não lembrariam nem o próprio nome mais você lembra muita coisa não e? A mulher sentiu medo quando o menino olhou com raiva para ela. - Sabe porque? Por que era para você ter vivido até os vinte anos apenas e cá esta você com quase 120 anos e ainda viva.
A mulher se serviu e andou ate a mesa para se sentar, tomou um bom gole de café e olhando para a pequena figura encostada na pia falou devagar.
- Esta cansado de mim Didi?
- Sabe Margarida, nos as mortes pegamos um caso, aparecemos para as pessoas da forma que mais agradar a pessoa, embora eu quisesse aparecer para foce hoje com a velha forma de foice e caveira. Os olhos de Didi ficaram vermelho quando ele falou da tradicional aparição da morte. - Mais em fim tenho que seguir a regras, depois que levamos a pessoa para o mundo dos mortos descansamos por alguns anos, sabe desamarrar vocês dos seus corpos não e uma tarefa fácil, e depois do descanso pegamos outro cliente para levar ao mundo dos mortos, mais você enciste em não querer ir comigo.
O menino bebeu de novo da xícara que agora era branca como sua roupa, terminou o café e deixou a xícara sobre a pia quando Margarida a viu outra vez ela era vermelha de novo.
- Talvez não tenha chegado minha hora ainda. - Disse a mulher tentando parecer natural.
- Não brinque comigo amiga, bem. - Didi parecia muito cansado queria terminar com tudo logo. - Não tem outro jeito de fazer isso para mima seria bem melhor chegar aqui e te levar mais eu tenho regras a seguir, você tem vinte e quatro horas de vida e um ultimo desejo peça e não tente me enganar desa vez. A ultima frase foi dita em tom de raiva.
- Não tenho desejo algum. - A mulher disse baixando os olhos, ouviu a bancada na mesa quando as mãos pequenas de Didi bateram nela.
- Não brinque comigo. Gritou a morte e desta fez parecia mais perigoso todo das outras vezes. - Faça seu pedido antes que eu vá para o inferno e leve você junto.
Margarida sabia que a morte tinha o poder de matar ele quando quisesse mas isso implicaria em um castigo para ela, perder seu posto como anjo e se tornar um ser das sombras, algumas faziam isso mais Didi vinha tentando levar Margarida do jeito certo a anos; e não iria desistir agora.
- Esta bem, meu pedido e que nem um desejo meu seja atendido.
A raiva no olhar do menino se aplacou, parecia não ter truque algum naquele desejo.
- E só isso?
- E sim.- A mulher não queria olhar para o menino com medo dele não ser mais um menino. Com medo da morte agora ser uma figura que lhe desse pesadelos a noite.
- E sta bem, concedido seu desejo, sabe Margarida tive clientes antes de você, mais nem um se agarrou tanto a vida quanto você.
Sentiu o vento no corpo outra vez e quando ergueu a cabeça estava sozinha em casa, era sempre assim, depois de alguns anos de descanso a morte voltava para tentar levar Margarida e talvez levasse mesmo desta vez, a velha senhor cujo os filhos já tinham morrido e os netos já eram quase avós tentou ter um dia normal no entanto quando ela entrou na sala com um pano para tirar poeira do moveis lembrou da primeira vez que encontrou a morte...

* * *

Era quando Margarida tinha apenas vinte anos de idade, e ela lembra como se todo dia fosse hoje estava limpando da mesa da lanchonete onde trabalhava, o uniforme um vestidinho azul com um avental branco, os cabelos loiros presos formando o tipico penteado dos anos 60.limpava sem pensar em muita coisa, a pele branca e os seios fartos fizeram com que muitos rapazes chamassem ela para o baile e logo mais a noite, porem ela não queria ir com nem um deles, queria e iria sozinha.
A lanchonete estava quase fazia, era o fim da tarde e logo os jovens vindo da escola passariam ali para tomar um sorvete conversa sobre nada e ir embora, Margarida esperaria ate as seis na hora de fechar iria para casa se aprontar e iria par ao baile, talvez não fosse muito elegante ir sozinha ao baile, talvez estivesse agindo como um moça sem princípios moraes, não se importava iria assim mesmo.
Olhou o lugar em não tinha cliente algum, quando se virou para ir a cozinha sentiu um arrepio na nuca, o sol que entrava pela porta era forte, mesmo assim a jovem sentiu a pele gelar, a musica que tocava na velha vitrola parou por um momento e voltou a tocar, era uma musica nova de uma banda sem futuro Margarida pensava, era Beatles.
Sabe quando você simplesmente sabe das coisas, foi assim Margarida se virou viu o menino pela primeira vez e soube logo sem falar com ele que ele não era humano, pensou que talvez fosse um truque da morte para evitar aquelas conversas longas cheias de explicações.
- O que você e? Margarida perguntou se aproximando devagar do menino que lhe olhava com um sorriso doce.
- Sou a morte Margarida sou a sua morte. - A mulher olhou para a rua e as pessoas iam e vinha, as maquinas carros quadradas demais, barulhentas demais iam e vinha na rua, homens e seus chapéus, mulheres e seus vestidos e guarda-chuvas.
- Mas você pode me chamar como melhor agradar você.
A mulher pensou, e repensou e logo sentou-se na cadeira de frente com o menino.
- Didi -. Disse ele a morte não quis explicações pois sabia que Didi era o apelido de um primo querido de Margarida que tinha falecida a anos.
- Tudo bem, só vou ficar nesta forma enquanto estiver atendendo você, chegou sua hora minha querida.
Margarida apertou a bandeja contra o peito e mordeu os lábios.
- Mais ainda sou tão nova, nem ao menos me casei.
- Minha doce querida. - Disse o menino apoiando os braços sobre a mesa. -Não precisa chorar nem uma perda, no outro mundo você sera livre, você poderia ser muito melhor do que você é aqui e mais útil também. -No entanto vou te dar um tempo, sempre damos um dia para você se despedirem, não adiante tentar contar nada sobre mim a ninguém simplesmente não vão lhe ouvir.
Margarida estava muito triste, tinha apenas vinte anos de idade e a morte já tinha vindo lhe buscar, a todo o momento uma força estranha vinha do menino como que tentando conforta-la.
- Você tem um ultimo desejo ?
- Ainda vai dar tempo de ir ao baile? O menino balançou a cabeça dizendo que sim.
- Como você me vê agora.
- Como você realmente e, energia divina.
- Quero que na hora de morrer eu morra vista como humana, gosto muito de estar viva, quero morrer no baile hoje.
- Mais eu te dou um dia.
- Este e meu desejo.
- Esta bem querida. - Margarida picou e o menino não estava mais lá... morrer que conceito ...
Quando chegou em casa Margarida tentou falar para sua mãe sobre Didi e era verdade sua mãe não ouviu nem uma das trés vezes que ele falou, foi para o quarto para organizar a roupa de ir para o baile, estendeu o vestido sobre a cama o arranjos e chorou sozinha muito triste.
Sentiu aquela presença outra vez, mais não viu o menino e lugar nem um, olhou par ao espelho de sua casa e viu um vulto atrás de si e quando olhou só a cadeira de madeira com vários ursinhos sentados nela.
Alguém bateu a porta e ele disse que podiam entrar.
Didi parou na frente da porta do baile, estava pronto para levar Margarida, sabia que arrancar as almas das pessoas desgastava muito ele, mais era seu trabalho, dar descanso as pessoas, leva-las de volta ao pai, empurrou a porta dupla da quadra da escola, saiu bem no meio da arquibancada da quada e la embaixo a meninas dançando, via todos como luz e energia que eram, lembrou do desejo de Margarida e viu todos os humanos como pessoas normais.
Procurou com olhos atentos mesmo para alguém que nunca usava olhos humanos então encontrou Margarida dançando alegre a meia luz, a musica ecoando no ar. Lembrar você que um sonho a mais não... o som era contagiante e se não tivesse trabalho a fazer ate se divertiria um pouco, mais era bom terminar quanto mais rápido, mais rápido sairia da forma de menino.
Ergueu as mãos apontando elas para Margarida, se concentrou e seus olhos ficaram brancos por completo, sentiu que estava extraindo a alma dela... no meio do salão a musica parou quando um jovem caiu parecendo ter uma parada cardíaca.... a quele beijo que você sonhou...
Didi caiu de joelhos muito cansado, tinha força apenas para volta para casa, e já tinha iniciado o processo olhou para Margarida e viu um jovem triste e afrita.
- Deus. - Exclamou não era Margarida. A morte e a alma arrancada prematuramente de seu corpo sumiram sem ser vistos.
-Margarida. Alguém gritou no meio do panico.
A mulher vestida de vermelho, vestido que tinha sido de sua mãe se levantou do bar onde tinha estado o tempo todo de costa e imóvel e correu para ver o que era.
- Sua irmã. um jovem falou, Margarida caiu de joelhos triste por fora e por dentro agradecida pela irmã ter aceito seu presente, estava com seu vestido seus arranjos, tais como a morte deveria ter visto sobre sua cama, Margarida ainda estava viva...

* * *

Não pense que mesmo agora muito anos depois Margarida não chore a morte da irmã, de alguma forma sentia que a vida de sua querida tinha passado para ele, Didi levou alguns anos para aparecer outra vez, Agora a velha senhora regava as plantas no jardim lentamente pensando que talvez não tivesse como escapar desta vez, qualquer truque Didi descobriria, a mulher se casou e era para ter quatro filhos porem um ele abortou.
Parou um pouco de regar e olhou para o céu azul, tinha medo de ir embora deste mundo, gostava tanto de viver, pensava assim na segunda vez que o menino apareceu para ele, tinha mais de 35 anos de viva e estava cuidando de seu novo lar, que ainda não era a casa em que ela mora agora, era um apartamento em são paulo, e mesmo com a ditadura impondo regras e mais regras, leis e mais leis sendo empurradas guela a baixo ela era feliz.

* * *

Estava limpando a casa já era o fim da tarde,no dia anterior Didi já tinha aparecido para ela, conversado um pouco sobre tudo que tinha passado por ter levado a pessoa errada para o mundo dos mortos, tinha lhe dito quanto tempo ela tinha de vida e depois sumido deixando ela sozinha em casa. Estava varrendo e ouvindo musica.
“pai afaste de mim este cálice “ ouvia a nova musica sem entender muito bem o que ela queria dizer, deixando a vassoura de lado sentou-se no sofá e levou a mãos ao rosto e pensou em chorar mais não podia, seu plano de enganar Didi desta vez tinha que dar certo, já tinha engando a morte uma vez e queria engana-lo mais uma, só não sabia se ia dar certo, sua filha estava dormindo no quarto e seria sua filha que iria lhe salvar.
- Ola Margarida. - Didi chamou no sofá da frente ele ergueu a cabeça e viu o menino sentando sorrindo para ela. - Ainda estava pensando em como você conseguiu me enganar da primeira vez, mais isso não e tão importante assim só queria saber por que?
- Eu não queria, eu apenas fiquei com medo.
- Você não tem que ter medo da morte minha querida, viveu de mais sabia, sua filha que esta no quarto e seu filho que esta na escola não poderiam ter nascido, seu marido tinha que ter casado com outra mulher, tivemos que fazer muitas modificações por causa de sua vida mais longa.
- Me desculpe. - Disse Margarida e parecia mesmo arrependida.- Minha irmã esta bem?
- Sim Margarida, ela esta ótima e que ver você, já te perdoou por ter feita ela morrer em seu lugar.
Uma lagrima desceu no rosto da mulher, ela desejou muito que Didi não pudesse ouvir seus pensamentos. “De vinho tinto de sangue” desejou que aquilo terminasse que seu novo plano desce certo. “te tanto usada a porca..” ouvia a musica e já sentia a dor pela filha que ia perder.
- Esta na hora Margarida, seu tempo aqui acabou a muito tempo, você precisa morrer, ontem você disse que ia fazer seu desejo a noite qual e?
A mulher respirou fundo, tinha chegado o momento que ia dar sua filha para viver mais, pensou na menina que dormia no quarto e se perguntou o que a Morte faria se soubesse que ela estava tentando passar ele para trás mais uma vez.
- Eu quero que você leve, arranque esta vida de dentro de mim e me deixe em paz. Ela pensava na filha enquanto falava.
- E só isso, sabe já te perdoei também por ter me enganado e ter feito e ficar nesta forma de menino por mais de 30 anos mais agora e hora de ir embora.
O menino que ainda mantinha a imagem dos anos 60 ficou em pé e ergueu a mão na direção da mulher, pensou que atitude, que sentimentos seu marido teria quando encontrasse ela morta no sofá da sala, sugou a alma obedecendo seus desejos.
Tudo escuro então.
- O que!!! exclamou Didi olhando para Margarida que ainda estava viva, sentiu algo em seu colo, olhou e notou que tinha um bebé muito pequeno em seu colo. -Você. Disse ele olhando para a mulher, era difícil saber o que ela pensava pois estava fora do contesto do vivos. -Você me enganou e matou sua filha.
Didi se sentiu muito cansado, sentiu a força puxando ele de volta par ao mundo dos mortos, tinha raiva nos olhos e Margarida notou tamanha raiva, Didi a morte gritou, gritou com fúria estava com raiva, ela tinha que ser morta, por quanto tempo mais ficaria presso na forma de um menino, só porque ela gostava de crianças?
Margarida viu Didi sumir mais uma vez, e logo que o menino se foi sentiu uma dor muito grande na barriga, estava sangrando também, correu para o telefone e discou o serviço do marido.
- Alo, amor eu acho... engasgou com as palavras sentindo o remorso chegando no peito.-Acho que estou perdendo nossa filha.
Seria sua terceira gravidez, uma gravidez que não deveria existir pois Margarida já não podia mais existir, talvez por isso a morte não percebeu seu desejo, arrancar de dentro dela a vida que existia e deixar ela em paz.

* * *

Margarida encostou a cabeça no travesseiro a noite, durante o dia tinha tido tempo de fazer muita coisa e repassar a sena de sua irmã sendo levado pela emergência já sem vida para o hospital, o modo como sua mãe chorou quando Margarida contou que a filha mais nova tinha morrido de uma ataque cardíaco durante o baile, lembrou em como seu marido chorou quando soube que o medico tinha retirado seu filho morto de dentro de sua esposa, todas estas coisas atormentaram ela o dia inteiro, ate pensou em chamar por Didi e pedir que ele lhe levasse 1ogo, afinal já tinha vivido mais de um seculo.
Lembrou principalmente de seu marido o qual também morreu para que ela pudesse viver mais, sentiu que Didi estava por perto, engraçado gostava tanto deste nome na infância, gostava tando de crianças e por isso a morte vinha como um criança chamada de Didi, mais por tudo que houve aprendeu a odiar o nome e a forma. Bem lembrou que sentia que a morte estava por perto e que provavelmente estava com muita raiva para lhe dar os desejos a que tinha direito, e muito menos lhe dar as vinte e quatro horas de vida, soube que ele viria em uma hora que talvez ela nem o visse.
Estava certa, a noite Didi abriu a porta do quarto em sua antiga forma de menino. Estava com raiva, sabia que iria ser punido por quebrar regras, mas em fim Margarida não tinha quebrado algumas? Não tinha engando ele a Morte?... a não isso tinha que acabar e era hoje, o mesmo marido que chorou a morte da filha estava na sala sentando, dormindo na poltrona, olhou para a mulher que estava deitada na cama vestida em um vestido florido, sentindo o peso da raiva esticou os braços para ela e usando o poder que tinha arrancou o espirito de dentro do corpo.
- Pronto poso descansar finalmente. - Didi olhou para o espirito parado ao seu lado e teve um assombro, correu para a cama e puxou o cobertor, deitado na cama e morto estava o marido de Margarida vestido em seu vestido.
Sentindo-se fraco Didi andou ate a sala sendo seguido pela alma que tinha acabado de sugar, chegou ao pé da escada e notou Margarida vestida com as roupas do marido olhando para ele, Didi abandonou sua forma de menino e se configurou em uma sombra de horrores indescritíveis, Margarida cobriu os olhos para não ver mais no entanto o pouco que viu a fera lhe causou pesadelos por muito tempo em sua roubada vida.
Didi não teve forças para terminar o que queria pois retirar a vida do homem acabou com seu poder, a mulher sentiu o vento no rosto e quando retirou a mão da frente não viu mais ninguém, o que restava? Chorar a morte do marido e avisar os filhos.

* * *

Acordou depois de uma noite inteira de pesadelos, entre eles a forma que a morte tomou quando tentou lhe atacar, a sombra de pesadelos, medonhos, pesadelos de medos incontáveis, levantou e foi para o banheiro, tomou banho e chorou a morte de pessoas que amava, era estranho porque em um momento ela realmente queria poder mudar as coisas dar vida outra vez a quem morreu por ela, e logo depois ela agradeceu pelo sacrifico e pela vida longa.
Vestiu a melhor roupa, o sapato de domingo arrumou os cabelos de frente ao espelho, a muito tempo vinha esperando Didi voltar e agora tinha medo do depois, desceu a cozinha e preparou o delicioso bolo, café e pão com manteiga; sentou-se a mesa e esperou o amigo, já sentia sua presença, com os cotovelos sobre a mesa juntou as mãos como se estivesse fazendo uma oração de olhos fechados pediu perdão.
- No que esta pesando Margarida? Assustou-se abriu os olhos e lá estava seu velho amigo Didi sentando a sua frente e servindo-se de café.
- Eu pensava no meu marido.
- A sim. - Didi bebeu o café que ao entrar em contato sua boca ficava branco. -Bom homem ele, sabia que eu quase fui arrastado para o inferno por causa dele, por sorte o pecado caiu em suas costas e não na minha.
Margarida também se serviu.
- Eu vou para o inverno? Perguntou e estava mesmo preocupada.
- Não sei, você enganou a morte trés vezes, mandou em seu lugar , marido, irmã, e filha. Alias esta ultima já teve a chance de nascer outra vez e viver em outra família.
- Eu vou sentir dor ao morrer?
- Você. - Falou Didi mordendo um pão. - Perguntou isso da segundo vez e eu disse que não embora agora eu ate quisesse que você sentisse dor, como estava disposto a de dar da ultima vez no entanto você acabou me salvando.
- Eu adoro viver sabe e tenho medo do outro lado, mais desta vez eu quero morrer, fiquei pesando nisso a noite toda.
- Eu vi você dormir a noite toda mais se disse que pensou eu acredito, só quero terminar isso e deixar esta forma de menino e este nome idiota que você me deu.
Pesando sobre o nome Margarida ainda gostava muito dele, o primo dono deste apelido era muito querido para ela, no entanto agora simbolizava a morte e uma batalha de gato e rato que ela vem travando a anos, aquela velha brincadeira de vivo, morto, vivo, morto que as crianças fazem só que no caso dela Didi grita. Morta e Margarida responde Viva.
- Bem obrigado pelo café Margarida estava ótimo, vamos ver. O menino que nunca pareceu tão menino quanto agora parecia pensar em algo. - Pedido você já vez. Quando Didi falou do pedido ela estremeceu. -Já te deu as 24 horas, bem e hora de irmos esta pronta.
- Sim eu quero muito deixar de viver.
Era tão bom para Didi ouvir aquela frase ele esticou a mão direita para ela para arranca-lhe a alma e ouviu ela dizer outra vez que desejava morrer, usou seu poder e tentou arrancar sua alma porem nada aconteceu da primeira vez.
Margarida abaixou a cabeça e esperou algo acontecer, o menino se levantou e apontou os dois braços para ele e usou seu poder, um vento forte soprou derrubando dois copos que estavam sobre a mesa, e nada aconteceu Margarida ainda vivia... Didi pensou, franziu a testa olhando para a mulher e tentou uma ultima vez. NADA...
- HA nãoooooooooooo. Gritou o menino e Margarida viu que ele estava perdendo a forma outra vez, se levantou a mesa bem na hora que o menino segurou ela de um lado de jogou ela contra a parede, o menino sumiu mas ela sabia que ele ainda estava ali.
A porta dos fundos bateu várias vezes ate os vidros dela se quebrarem, depois todas as portas dos armário começaram a abrir e fechar com força e duas delas foram arrancadas do lugar, copos foram caindo um a um de dentro do armário.
- Deus me proteja. - Falou para si mesma andando de costa tentando sair da cozinha, a porta atrás dela que era de correr começou a abrir e fechar com violência, bem poderia cortar ela ao meio; gavetas abrindo e talheres voando par ao ar, a luz acendeu-se várias vezes e depois estourou, o fogão caiu de lado e o bojão de gaz subiu ate tocar o teto e depois cair pesadamente no chão.
O som metálico o bojão parecia o fim de tudo, tudo que estava acontecendo parou de súbito, Margarida viu a sombra surgir na sua frente a velha e medonha imagem da morte, pensou mesmo que desta vez ela não conseguiria escapar, tinha armado um belo plano mais não contava com a fúria da morta.
Teve muito medo do que via a sua frente, olhos de terror intensos, o corpo em sombre era como se fosse um buraco sem vida, e cheio de vida ao mesmo tempo, um poço maligno de onde não se pode sair, se olhou direito pode ver mãos lhe chamando de dentro do corpo da criatura, se ouviu direito as pessoas lhe chamava. -Margarida.
Fechou os olhos por um instante e quando abriu viu Didi na sua frente sorrindo e arrumando o terno, olhou para ver se estava tudo certo com seu sapato e depois deu uma arrumado no topete.
- Você e muito astuta velha.- Disse o menino parecendo contente. -Achei mesmo que desta vez levaria você, e ate posso levar do jeito mais fácil, e confesso. Disse ele pisando com o olho esquerdo. -Estou muito tentando a levar você pela perna mais em fim, acho que você venceria desta forma, não vou levar você do jeito certo e em fim vou poder descansar, se agarre a vida o quanto quiser desta vez eu estou inteiro pois não tirei vida nem uma.
- Eu quero viver Didi. - Falou e não tinha nem uma vontade no que dizia.
- Eu sei. Disse ele olhando tudo em volta. - Que bagunça em, bem você tem uma semana, e se conseguir me enganar outra vez terá mais uma semana a não ser que me faça outra vez arrancar outra alma no lugar da sua o que eu duvido que aconteça, Ate logo Margarida viva bem esta semana.
Dizendo isso o menino sumiu, primeiro virando poeira e depois sendo levado pelo vento.
Margarida se sentou no chão, os osso não doíam mesmo com a idade que ela tinha, não tinha ligado para os filhos no dia anterior mais ligaria hoje queria ficar com eles, tinha passado muito tempo depois que seu marido se foi pesando em como enganar a morte, e teve que desejar morrer para seu plano dar certo, teve que se enganar dizendo que queria morrer para seu plano dar certo pois o pedido que vez a morte foi “Esta bem, meu pedido e que nem um desejo meu seja atendido” e como ela desejou de coração morrer foi salva.
Mais não foi um exercício fácil pois ela adora a vida, adora o mundo em que vive, e tem muito medo de morrer, agora só tinha uma semana e não sabia se usava para ser feliz ou pensar em outro modo de viver mais uma semana.
Chorou um pouco por todos que morreram por ela então se levantou e começou a arrumar a cozinha. Enquanto fazia isso sorria um risso que só as pessoas vitoriosas tem, e se esta vitorio foi sobre a morte, há então você gargalha sozinha na cozinha e sorrir para o mundo que tanto ama.

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© 2009 | Marcos Antonio (Escritor) | Por Templates para Você