A casa
Marcelo subia a ladeira segurando a mão de sua namorada Maria, era noite fazia frio, lógico sempre faz frio em Campos do Jordão.
-Meu amor se quiser podemos voltar. Disse ela encostando a cabeça no ombro do homem mais alto.
-Não. Disse ele ríspido. –Vou provar para eles que não tenho medo.
-Mas, quis contestar ele porem a atenção de Marcelo estava em outro lugar, o homem branco de vinte cinco anos avistou a casa no alto da subida.
-Esta e a casa? Exclamou ele sem notar as nuvens que caminhavam para esconder a lua.
-E sim. Disse ela passando o braço em volta dele. –Dizem que ela e mal assombrada. Marcelo sorriu um pouco mais não contou a ela o porque, ele achava o termo mal assombrado errado porque se um lugar e assombrado só pode ser mal.
-Venha vamos entrar. Disse ele e ela olhou com ar de desaprovação.
A casa era velha, das janelas só as molduras a porta da frente estava apenas encostada no suporte enquanto o culpins a devoravam, no andar superior uma única janela de onde balançava um lençol
-Tem certeza Marcelo?
-Sim tenho seu irmão não disse que eu sou medroso, que tenho medo de tudo então vamos entrar nesta casa velha e levar algo para eles verem. O restante da turma que viajara de São José dos Campos para um fim de semana em Campos do Jordão aguardavam na entrada mo morro.
Os dois entraram pelo jardim morto de rosas secas e insetos medonhos ela sempre agarrada a seu braço, o vento entrava pela casa e quando saia criava um som, como se mortos gritassem na casa.
-Amor. Sei que só e amanha mais. –Feliz aniversario. Disse ela assim que deram o primeiro passo na varanda do chalé. Ele sorriu para ele e isso o fez pensar, não seria aquilo uma brincadeira por conta de seu aniversario? Não estariam todos na casa tentando assustar-lo?
Empurrou à velha porta ela caiu fazendo um som oco; pouca luz entrou pela sala empoeirada, deu um passo para frente e sentiu a resistência de Maria, por fim acabaram entrando.
A cada passo que davam as botas fazia o taco do piso ranger, o vento passou por eles com violência balançando os cabelos de Maria, ela se encolheu contra o namorado.
-Não gosto daqui. Olhou para a direita e notou um tipo de cozinha ou algo próximo disso a luz ainda era pouca para se ter certeza, sobre uma mesa maltratada e aborrecida um cutelo de açougueiro.
Maria não falou nada sobre o cutelo, ficou com medo do namorado querer levar a faca como provo que entrou na casa, mas não sabia ela que ele também tinha visto a faca e escolhera não pegar.
Passos ate a escada, teias de aranha no cabelo poeira por toda porta. Por um minuto Maria pensou ter visto um homem baixo careca segurando a faca e...
-Deus. Olhou de novo e a faca estava sobre a mesa.
-Que foi Maria? Perguntou ele e pensou; talvez ela esteja querendo me assusta, será que e isso? –Esta bem?
-Sim, podemos ir embora?
-Ainda não, eu disse para você ficar com eles agora vamos lá em cima.
Subiram as escadas, devagar com medo de algum degrau estar solto passo a passo lentamente o frio entrando pela porta da frente, a luz que ficava mais distante a cada passo, Maria olhou para traz para vê se o homem estava lá no pé da escada com a faca; suspirou fundo. Nada.
No andar de cima os dois notaram varias porta, apenas quartos naquela andar a frente a janela que ele viram e a velha cortina que balançava ao vento, mesmo vento que arrepiava suas nucas. Deram um passo e a madeira rangeu.
-Vou levar a cortina. Disse ela. Acho que da para vê ela lá debaixo. Andou devagar passando pelas portas abertas, quartos escuros e janelas tampadas com pedaços de madeira. Estava próximo agora, podia ouvir o som do tecido quando o vento a acoitava. Segurou a cortina e puxou.
Uma das portas se fechou no céu as nuvens esconderam a Lua completamente a casa ficou nas trevas.
-Vamos embora. Disse ela.
-Sim já tenho o que quero. Quando começou a frase sentia o braço de Maria no seu quando terminou ele não estava mais lá. Não ouve grito nem só de passos o braço apenas não estava, mas lá.
-Maria. Andou alguns passos no escuro. -Ou droga não tem graça Maria. Continuou andando e ouvindo seus pés na madeira. –Maria. Chamou e alguma coisa passou correndo atrás dele. –Maria. Virou-se então todas a portas se fecharam não de uma vez uma após a outra e mesmo achando que era um brincadeira ela se assustou e começou a descer.
-Marcelo. Um grito distante de Maria e parecia estar chorando, ele parou na escada e olhou para o corredor escuro. Outro grito não articulado.
-Vá embora. Alguém falou uma voz que ele tentou mais não reconheceu se fosse uma brincadeira ela faria o jogo desceu correndo as escadas. E ouvia pés atrás dele. –Parem não tem graça. Segurava a cortina sem saber o por que.
No pé da escada alguma coisa tocou suas costas eram como mãos, mas geladas um cheiro ruim tomou conta do ambiente, carne morta cheiro de pessoas em decomposição. Andou tateando ate que achou a parede, esta estava húmida sujando sua mão com algum tipo de material.
No andar de cima ouviu passos, pessoas correndo e sorriu um pouco.
-Só pode ser eles. Pensou um pouco. –Vou assustar-los também andou devagar ate a mesa onde tinha visto a faca foi quando a luz da lua surgiu e ele notou que a faca não estava mais sobre a mesa.
-Droga. Estava mas claro um pouco Marcelo olhou para mão para ver no que se sujara era viscoso tinha um cheiro ruim, era sangue.
Gritou largando a cortina e respirando forte, se fosse uma brincadeira já tinha passado dos limites, virou para porta e tudo só estava piorando.
A porta estava intacta e fechada. Andou ate ela e tentou abrir. Nada a porta não se movia. Outro grito no andar superior.
-Este certo pessoal. Disse ela sabendo que iriam rir daquilo por muito tempo. –Estou com medo já podem parar. Esperou que alguma lâmpada se acendesse por mais precária que fosse e que seus amigos e Maria gritassem. “surpresa” mais ao invés disso ouviu um passo pesado.
Outro passo pesado alguém grande se aproximava dele respirava devagar e alto. Ele bateu na porta mais três vezes.
-Hei. Gritou a beira o desespero. Os passos pararam. Mais a respiração ficou. Encostou-se à porta e foi virando devagar bem devagar, foi quando ele viu.
Um sorriso de dentes podres... E viu todo o resto abriu o boca em um grito de agonia encheu o peito para gritar, no entanto o grito ficou preso em sua garganta... Quando a faca foi lançada ele fechou os olhos... Era o fim.
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