o Beija-flor

Maria lançou o lençol sobre a cama e depois foi ajeitando a ponta da direita ponta da esquerda, travesseiro e por ultimo deu uma empurrada na cama com a perna, estava fora do lugar com certeza o doutor e a doutora fizeram amor na noite passada. Antes ela sabia identificar suas noites de amor pelo bom humor no começo do dia agora eles quase não riem mais e Maria a emprega identifica pela cama mais bagunçada do que o normal.
Com seus trinta cinco anos Maria nunca fez outra coisa e não trabalhar de domestica dês que veio o nordeste, terminou os estudos agora depois dos trinta; só que já não dava mais tempo para nada, os filhos lê tomavam muito do tempo que ela queria para estudar e assim ela era apenas a empregados de um casal de médicos.
-Maria. Gritou de outro quarto uma voz jovem.
-Já vou Pâmela. Disse a empregada que também tinha que fazer o papel de baba para Pâmela a filha mais nova do casal mais nova e com problemas, e menina estava sofrendo após um cirurgia para retirar um câncer da perna.
-Anda logo Maria. Disse a menina novamente.
-Calma que eu sou só uma. Disse ela terminando de arrumar a cama era só fechar a janela para as folhas não invadirem o quarto e estaria tudo pronto. Andou ate a janela sentindo o vendo. Passou a mão nos curtos cabelos e depois limpou a boca com as costas da mão.
Ao chegar à janela sentiu medo. Parado no ar e olhando para ela estava um lindo beija-flor, verde folha olhos pretos como a noite ele batia suas asas e olhava para Maria. A mente de Maria viajou para o passado quando ela ainda era jovem.
Era no nordeste antes de Maria vir para São Paulo antes mesmo de ela saber o que era a Cidade de São Paulo para alguns nordestinos. Criança ainda com seus dez anos ela estava sentada a mesa com outras crianças e adultos, era uma pequena multidão em uma mesa gigante por assim dizer. Em uma ponta da mesa uma senhora de uns trinta anos que sorria das estórias do marido. O homem que sentava na outra ponta um velho senhor, que não mostrava a idade que tinha.
Contava estória para os filhos e para os netos Maria lembrava o avo com carinho. Era uma família muito unida como poucas são hoje em dia; os pratos já estavam vazios na mesa a mais de quinze minutos, no entanto eles permaneciam juntos.
-Vovó eu posso colher manga? Indagou um dos meninos por nome de José era o que ele sempre fazia após o almoço.
-Pode sim e depois descanse você vai comigo para a roça hoje. O menino levantou-se e correu para fora da casa como efeito todas as crianças correram atrás.
O quintal de terra batida, algumas galinhas que bateram asas quando José passou correndo um chiqueiro com porcos grandes e gordurosos. E claro a majestosa mangueira a frente da casa.
José subiu em um amontoado de madeira que havia encostados no tronco da árvore tronco que seis homens não conseguiriam abraçar e subiu sumindo na folhagem do castelo verde. Muitas das crianças não tinham permissão para subir no gigante então esperavam pela boa vontade de José e por sorte ele era um menino de quinze anos muito bondoso.
-Lá vai. Gritou ele e do alto caio uma manga vermelha enorme. Um dos meninos correu para apanhar e quase foi atingido pela outra que já caia todos riram dele esquivando da manga. Maria sorria esperando sua vez, ela e o primo tinham um carinho especial talvez ate namorassem na maturidade; ele a defendia lhe dava presente leva ela para passear, era um primo que ela amava muito. Por isso ela o esperava grita seu nome.
Em meio às folhas via-se o menino moreno entre troncos e folhas procurando as melhores mangas. Mais uma manga; e esta caiu nas madeiras empilhadas no tronco, um primo foi busca ela então Maria viu pela primeira fez. Era um beija-flor verde de olhos negros. Ela ficou maravilhada olhando para a pequena ave.
O menino apanhou a manga mais escorregou fazendo a madeira cair bagunçada. Um pedaço de madeira bateu em sua perna e ela voltou mancando.
-A Vovó vai fazer você por tudo no lugar. Disse Maria o beija-flor ainda estava lá votando olhando para ela.
-Maria. O grito fraco vindo do alto. –A próxima e a sua. O momento que ele esperava andou para frente dos meninos e primas e olhou para o alto, bem a tempo de ver a ave voar para cima entre as folhas da mangueira. –Ta quase. Dizia o menino como se a manga estive um pouco longe se seu alcance. Então, um estalo alto.
E logo outros estalos e ganhos se quebrando e algo vindo do alto, as crianças olharam para o alto e viram José caindo por entre as folhas.
-Haaa. José gritava enquanto caia e batia as costas e braços nos galhos, muitos ossos se quebravam na decida mais talvez ele não morresse porem.
Dos troncos em desalinho um ficou em pé apoiado pelo outros.
-José. Gritou Maria e ao olhar viu o beija-flor sair do meio da folhas e logo atrás José de costa, a ave voou para o tronco em pé e José atrás. O beija-flor parou parecendo pousar sobre a ponta do pau então José ajudado pelo peso do corpo multiplicado pela a altura da queda foi espetado pelo tronco.
O sangue descia pelo tronco por um momento as crianças ficaram paradas olhando o primo abrir os braços lentamente, nem um grito saia a ponta do pau para fora do corpo do menino estava manchada de sangue, sua cabeça agora pendia para trás e sangrava a boca e o nariz. Sua mão se abriu e dela a manga de Maria rolou sem nem uma mancha de sangue. Como em um acordo, quando Maria gritou todas as crianças gritaram atraindo os adultos para fora... Maria nunca esqueceria o primo que ela tanto amava espetado em um tronco, não esqueceria o beija-flor.
A adulta Maria olhou e percebeu que a ave se aproximava da janela, correu e um pouco antes dela entrar a mulher fechou a janela, parecendo protestar a pequena ave ficou batendo com o bico no vidro da janela como o Corvo de bate a nossa porta.
-Não. Disse ela. - Fique ai fora. Fechou também a cortina para na ver a ave.
-Maria. Gritou Pâmela do outro quarto e mais que imediatamente A empregada foi atende - lá.
Entrou no quarto e viu Pâmela tentando levantar apoiada na muleta a menina que havia sofrido um cirurgia para retirar o tumor estava mais impaciente do que já era, mais impaciente do que sua idade de dose anos permitia.
-Calma filha eu já to aqui. Disse Maria que tratava Pâmela e os outros dois garotos da cosa como se fossem crias suas afinal já trabalhava com eles a mais de sete anos.
-Você demorou Maria e eu queria ir a banheiro.
-Venha. Disse Maria levantando a menina por um braço enquanto ele se apoiava na muleta lentamente foram ao banheiro.
-Mãe já foi trabalhar?
-Sim e seu pai também. Disse Maria empurrando a porta do banheiro da menina com o pé.
-E nem vieram me dar bom dia. Havia um tom triste no que a menina dizia, a empregada pensou e reconforta lá como palavras como, presa, trabalho etc. mais nada disse. Deixou a menina triste no vaso sanitário e voltou ao quarto para organizar a cama. Em poucos segundos ouviu a menina cantar; sorriu e se alegrou por ela ao menos estar tentando espantar a tristeza. A musica parou no banheiro a menina gritou.
Maria largou o lençol de dobrava e correu para o banheiro. A menina estava no vaso segurando a bengala como se fosse atacar algo, o algo estava voando de frente para a menina, pelo retrovisor aberto entrou o verde beija-flor.
A pobre Maria mais uma vez ficou congelada, Por Deus! Já perdera as contas de quantas vezes aquele beija-flor lhe trouxera noticias desagradáveis, uma bala que atingira a perna do filho logo depois do beija-flor voar pela casa, a mãe e seu ataque cardíaco, o sobrinho e sua infecção generalizada, o marido e o divorcio e a jovem Pâmela Maria viu o beija-flor quando o pai da menina contou a todos sobre seu câncer. E agora o que ele queria. Uma das lembranças foi bem mais forte.
No passado ela já era adulta e estava em sua nova e bagunçada casa; bagunçada porque acabara de comprar ela junto com seu marido. Sentada no tapete desembalando coisas e sorrindo, pela manha recebera a noticia de sua irmã Ana seria mãe hoje. Seu primeiro sobrinho, o mesmo que sofreria a infecção anos depois.
Cantava e esperava noticias, cada pesa que ela desembalasse cada bibelô, cada segundo era intranquilo; não pode ir vê sua irmã no hospital por isso mandou o marido para ter noticias.
Apanhou uma caixa e a colocou na frente do corpo puxou a vida adesiva que fechava a caixa então abriu, assustou-se...
-Deus. De dentro da caixa voou um lindo beija-flor. Maria acompanhou o voou com a cabeça ele passeou na sala toda e então parou de frente com ela.
-Vá embora. Disse ela porem a voz pareceu vir de outro lugar. –Por favor, vá embora.
A porta da frente se abriu em um solavanco Maria olhou e viu o marido com olhos rasos d água. O passarão não mais estava lá.
-O que houve? Ela perguntou e o marido se aproximou com as lágrimas escorrendo pelo rosto ele se abaixou e segurou as mãos da esposa.
-Sua irmã.
-o que houve?
-Seu sobrinho esta bem, mais sua irmã ela... As palavras entaladas. -Ela morreu no parto.
Maria saiu das lembranças com Pâmela tentando acerta o beija-flor com a bengala o bicho voou pelo banheiro e depois saiu pela janela que Maria fechou rapidamente.
-Poxa Maria você nem para me ajudar. Quis dizer que estava gelada que tinha medo do pequeno animal que em uma noite escura poderia muito bem ser confundido com um inseto de tão frágil que era apenas brincou.
-Mas você, pois ele pra correr.
-E se ele aparecer aqui de novo eu esmago ele. A menina brandiu a bengala como se fosse um herói da idade media brandindo sua espada, Maria sorriu e ajudou a menina a se levantar do vaso sanitário. Ainda tinha medo. Que ele queria agora seria Pâmela? Mas ela estava curada do câncer não estava? Andava com a menina e olhava sua perna. E se não fosse só na perna e... Maria apertou os olhos tentando não pensar nisso.
-Deite-se. Deixou a menina na cama e acariciou seus cabelos negros. –Vou fazer o café qualquer coisa me chame.
-Sim Maria.
Saiu do quarto deixando a porta aberta. Seriam meus filhos? Pensava ela ou meu sobrinho querido; desceu as escadas pesando em toda a família. Olhou na sala para a estante onde estava entre outras coisas o telefone esperou que ele tocasse e que fosse noticias ruins. Nada sacudiu a cabeça e virou-se para ir à cozinha.
Lembrou de todas as vezes que a ave aparecera para ela acidentes doenças, lutos e despedidas. Preparava o café e lembrava-se de coisas ruins.
-Maria. Gritou Pâmela do andar superior enquanto o café descia pelo coador.
-Agora não Pâmela. Disse ele enxugando a mão e um pano e se virando.
Lá estava ele voando a cima da cabeça dela olhos negros um jeito sereno de ser, foi só ai que Maria percebeu não era outros de sua família que ele queria, o beija-flor queria ela. A menina chamou novamente porem a empregada ouviu apenas um murmúrio distante.
-Vá embora. Disse ela juntando as mãos no peito. No fogão um dos botões estavam abertos e liberava gás, provavelmente ela não esquecera aberto mais lá estava o gás escapando por toda a cozinha. –Não me deixe.
A ave começou a se mover na direção de Maria lentamente olhava de um lado para o outro balançando aquela pequena cabeça com uma curiosidade estranha. Parou passou a mão na pia e a primeira coisa que encontrou foi o acendedor automático do fogão. O cheiro do gás escapando chegara a Pâmela; Maria que estava do lado do fogão na sentia e não ouvia nada. Não ouvia o vento, não ouvia o café enchendo a garrafa, não ouvia passos desajeitados na escada.
O beija-flor estava bem próximo agora mais alguns centímetros e ela apertaria o botão do acendedor e isso ligado ao gás seria... Mais perto.
-Não. Gritou Maria tocando o botão do acendedor e pressionando.
Um estalo forte quando Maria apertou os olhos. Abriu os olhos devagar na sua frente uma imagem fora de foco demorou a ver com clareza. Em fim era Pâmela com sua bengala segura nas mãos apoiada em uma só perna a boa, a bengala estava com o lado de apoiar no chão e entre o chão e ela esmagado o beija-flor.
-Eu disse que ia matar ele. Indagou Pâmela com um sorriso malévolo. Maria levou muitos segundos para acordar então largou o acendedor.
-Você não deviria ter tecido sozinha. Disse ela agradecendo pela menina ter decido as escadas arriscando uma queda.
-Eu te chamei Maria muitas vezes e você não respondeu.
-Desculpe filha estava distraída.
-Senti cheiro de gás escapando não e aqui? A menina perguntou e Maria olhou todos os botões tudo fechado.
-Não esta tudo bem queria. Graças a vocês. Pensou apenas.
-Vou para a sala vê TV. Disse e se virou apoiada na bengala que provavelmente estava suja de sangue. Sozinha na cozinha a Mulher andou ate a posa de sangue e penas verdes no chão.
-Ola beija-flor eu acho que em fim você vai me deixar em paz não e?
Então Maria limpou a sujeira e se preparou para ter um dia tranquilo, sorrindo cantando brincando com Pâmela. Despreocupada de tudo. Sem saber que do lado de Fora da casa entre as árvores do condómino voava um beija-flor. Um lindo e inofensivo beija-flor.

0 comentários:

 
© 2009 | Marcos Antonio (Escritor) | Por Templates para Você