A fumaça, capitulo 2

O coveiro subiu as escadas assim que o sol fraco entrou pelas janelas, andava devagar com um sorriso maldoso nos lábios havia passado a noite em claro esperando que ela estivesse pronta para ele, era hora de conferir. Tocou a porta do quarto e notou que estava trancada. Sorriu mostrando os dentes amarelados. Tirou do bolso uma chave e empurrou na fechadura derrubando a outra chave dentro do quarto.
Ouviu a porta ranger enquanto ia se abrindo então ele viu Alice caída no chão imóvel de costas para a porta, andou dando a volta na moça, notou no chão marca de cinzas olhou o rosto pálido da mulher, muito branco enquanto a luz o banhava. Ele se abaixou e pegou Alice no colo, apanhou seu chapéu e a arma sobre a cômoda, levando-a escada abaixo e deixando a moça no meio da sala.
Alice vagava por devaneios e pesadelos, na maioria deles viam pessoas sendo fuzilados por um batalhão de homens malignos, os pesadelos de infância voltaram. Como doía achar que estava louca e não ter ninguém para dizer que você não era, como quando ele era criança e uma colega de classe perguntou ao pai dela.
–Aquela e a louca papai. Isso porque Alice tinha tido alguns surtos na sala de aula. A Menina foi repreendida pelo pai e Alice olhou para o seu esperando que ele dissesse algo como, você não e louca filha só esta doente. Mais não ouve nada disso o pai dela apenas fingiu que não eram nada coma eles...
Mesmo com toda dor, mesmo mergulhada naquele pesadelo que não iria embora enquanto ela não tomasse uma boa dose de seu remédio ela quis lutar, não queria ficar onde estava sentindo o corpo mais não podendo usar-lo então mais uma vez como fizera varias vez após um desmaio Alice voltou a si por conta própria.
Sua visão clareou e ela viu o Coveiro nu a sua frente cortando sua camisa, desabotoando a camisa da mulher, de repente uma raiva tomou conta dela e ela gritou.
-Tira as mãos de mim. Coveiro como que acordando de um sonho levantou-se e Alice notou uma nojenta ereção tropeçou nas próprias pernas e caiu sentado. Ela logo avistou sua arma, e bem a tempo do homem recuperar o raciocínio e tentar levantar.
-Fique ai. Disse ela apanhando a arma que ele deixara no chão ao lado do chapéu. –O que você esta fazendo?
No rosto do homem uma expressão confusa e triste como se ele não esperasse que ela fosse se levantar. –Vamos fale.
-Eu achei que você. Mais não falou engoliu em seco o que iria dizer e Alice achou melhor não perguntar de novo. Percebeu que era tarde e que dormira mais do que o que pretendia.
-Você estava fria de olhos imóveis sem pulso. Ele falou e parecia às descrições do velho medico sobre seus ataques frenéticos sempre depois de uma ilusão ele ficava naquele estado, e certa época seu pai lhe dau o chapéu do avo para ela segurar.
–Você e mais forte que os outros por quê? Alice não sabia do que ele estava falando. –Que horas são?
-Aqui dentro o tempo não corre mais se estivéssemos na companhia de pessoas vivas seria Uma hora da tarde... Parou percebendo o que dizia. –Uma hora. Repetiu agora ignorando Alice que percebeu seu pênis perder a potencia e se tornar algo pendurado e sem vida.
–Esta na hora. Disse ele e antes que ele pudesse perguntar hora do que me ouvi um som alto vindo de fora. Parecia uma radio mal sintonizada. Chiados, vozes e uma canção ao fundo que ela não conseguia identificar.
-O que e isso? Perguntou ela apanhando o chapéu e ficando em pé notou medo nos olhos do Coveiro. –Hei o que e isso? Começou a andar na direção da porta.
-Não fique longe, aqui dentro e seguro.
-Com você? Seguro? você e uma maníaco.
-Não acredite não quero te fazer mal e achei que você tivesse.
-Calado. Disse ele firmando a arma na direção de cabeça dele ele se calou com raiva nos olhos. O radio que tocava ficou nítido e Alice ouviu uma linda musica caipira tocando, um violão tocava e uma viola solava. Olhando para o Coveiro ela foi ate a porta.
Olhando para fora ela viu pessoas a passos lentos, todas de costas para a casa onde ela estava alguns portavam ferramentas outras carregavam crianças nos braços, pés descalços e passos lentos.
-Pensei que não tivesse ninguém mais aqui. Disse ela olhando para ele e depois abrindo a porta e saindo, o coveiro estendeu a mão para mandar ela para mais nada disse falou apenas.
-Não há, ninguém vive mais aqui.
Alice se vestiu a blusa e saiu correndo olhando para a casa e quando percebeu que o Coveiro não lhe seguia guardou a arma na cintura, as pessoas que ela via andando sumiam na nevoa a sua frente a radio tocava alto uma musica caipira, mas a letra não lhe chamou a atenção.
-Hei. Gritou mais as pessoas à frente andavam em direção ao centro da cidade, parecia murmurar algo mais não olhavam uns para os outros para conversar. Um frio percorreu a espinha de Alice quando o vento trouxe uma nuvem de cinzas. –O não. A loucura dela estava voltando. Correu o mais que pode. –Esperem. Logo junto com as cinzas pedaços incandescente de folhas.
Logo chegaram as casas do centro, ou onde seria o centro da cidade, ela viu um ultimo homem virar a esquina e ir para rua principal, apertou o passo então notou algo no chão. O vestido o pequeno vestido branco. Tentou ignora e ir para a rua mais ao andar notou que a radio saiu do ar e deixando apenas o chiado irritante, o mesmo que ela ouviu no celular. Olhou para o alto da casa para descobrir onde estavam às caixas de som mais nada viu.
Olhou para frente na intenção de continuar mais agora o vestido era habitado por uma jovem loira de cabelos cacheados. Ouvia-se um murmúrio das pessoas no centro. Alice ouviu e olhou para a menina de novo. Em um segundo ela estava ali parada no outro sua mão erguia e com o indicador ela fazia um sinal negativo. Alice mexeu a boca para perguntar o porquê não podia passar. Então ouviu os murmúrios virarem discursa mãos não se entendia nada de que era dito. Então se ouvi tiros.
Se encolheu ouvi-se muitos disparos e gritos na nevoa sangue voava pelos céus as cinzas encobriam tudo então Alice percebeu que talvez não fosse nevoa aquela substancia branca, era fumaça. Crianças chorando passo para todos os lados. Alice viu alguém passar pelo beco onde ela estava e sumir de uma hora para outro ao ser atingido por um tiro que não veio de lugar nem um. Uma confusão de gritos e prantos então tudo parou.
Alice ate tinha se esquecido da menina que não mais estava lá, não sabia se andava para a rua, tremia de medo, levou a mão ao resto e a mão tremia cinzas em seus braços devagar ela andou, Não querendo fazer então saiu não rua principal.
Todos em pé uma pequena multidão de homens e mulheres, em pé? Alice percebeu que seus pés não tocavam o chão, eles flutuavam com os dedos tocando o solo. Sangue escorria nas pernas, nas costas, alguns com longos cabelos manchados de sangue.
Alice deixou escapar um suspiro de medo levou à mão à boca mais não pode abafar o som, eles se viraram devagar olhos vermelhos, pele branca cabelos bagunçado.
-Forasteiro, ela ouviu mais não viu nem uma boca se mover. –Forasteiro era uma mulher quem disse da próxima vez foi uma criança então um coro começou.
-Peça perdão. Iam à direção de Alice e ela não sabia o que fazer. À medida que eles iam se aproximando o ar em volta ficava escuro a nevoa ficava com tom de vermelho. O sangue que descia por seus corpos tinha vida e por trilhas que se moviam como minhocas seguiam para a moça.
-Perdão. Diziam em um coro e nem uma boca se movia vozes desencontradas; ela viu a menina parada em uma rua há direita. A menina virou de costas e começou a andar Alice não pensou duas vezes, correu atrás de menina. Os mortos a seguiram. A menina virou a direita na próxima rua e quando lá Alice chegou não a viu mais.
-Perdão. Disse o menino negro de olhos sem globo parado ao lado de Alice que se assustou e quase caio. O menino estendeu os braços para ela e ela foi se afastando dele havia mais casas ali e estas eram melhores que as outras, janelas e portas ainda no lugar o chão de paralelepípedo. –Mãe. Chamou a menina ela olhou para o alto da rua e viu a pequena em seu vestido branco as cinzas que caiam pareciam não toca-lá. Os mortos vinham pelo mesmo caminho que Alice fez.
-Espere gritou ela subindo a rua quase sem fôlego o menino negro se juntou a multidão e com eles seguiu Alice que corria para o alto, à medida que subia as casas iam se tornando em menor numero ate que no alto do morro só havia três construções uma de cada lado e a maior era onde a menina estava parada a porta era bem ao centro fechando a rua sem saída.
A menina sumiu, lia-se no placa Igreja de São Judas e Prefeitura da cidade. Sem pensar correu passando pelo portão de ferro o muro antigo feito de tijolos baianos parecia preste a cair a qualquer toque. Chegou à porta da igreja e tentou entrar. Trancada.
-Ola. Gritou. Os mortos subiam alguns se arrastando pelo chão. Uma mulher carregava um corpo de criança sem cabeça no colo. –Hei abra alguém. Batia freneticamente na porta, eles já estavam perto do portão. –Perdão. Gritavam e gemiam parecia que cada passo era dolorido a eles. A nuvem negra chegou ao portão e parou. Alice parou de bater quando viu que eles não passaram pelo portão.
Virou-se e lá estavam parados inertes olhando a jovem que suava que respirava ofegante ouvi-se um clique e a porta abriu.
-Eles não entram aqui. Disse a voz feminina castigada pelos anos. Sem perder tempo Alice entrou no lugar sem olhar para quem a abrira ouviu a porta se fechar atrás dela. Ali dentro não se ouvia o radio fora do ar que se ouvia do lado de fora. Sentiu-se muito mal, viu o mundo girar ao seu redor como quando bebia com os amigos. Então nada só o chão se aproximando e depois o silêncio.

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