Alice se ajeitou na velha cama com cheiro de poeira já era tarde e ela olhava para a chama fraca da vela sobre a penteadeira, não havia lua no céu não havia estrelas, o céu tinha um tom de chuva mais não parecia que iria chover, em pontos do céu podia ver manchas vermelhas. Ficou olhando para a vela lembrando-se da ultima noite de sono a menina... A menina.
A menina estava e um balanço improvisado em um galho de arvore, parecia fazer frio naquele dia, Alice notou que ela mesma usava blusas, andou devagar ate a menina que balançava o vento sacudindo seus cabelos loiros.
De costa para ela a menina não pareceu notar sua presença, com as pequenas mãos agarradas às cordas ela balançava, na frente da arvore de onde prendia a balanço uma casa grande, muito parecida com uma escola ou orfanato, lia-se na placa sobre a porta. Menino Jesus. Andou devagar ouvindo seus passos no chão então... um brasa passou por ela pequenos pedaços flamejantes que tocavam o chão e se apagavam em cinzas.
Alice notou que tudo fora tomado pela nuvem de cinzas vivas tudo ao seu redor, a própria arvore onde a menina estava teve suas folhas cobertas pelas pequenas faíscas negras.
-Mãe. Disse a menina parando de balançar tendo sua mão tocada pelas cinzas. –Você veio me buscar, isso e bom. Alice não entendia olhava de um lado pra o outro e não conseguia saber de onde vinham as cinzas, segurou uma no ar e percebeu que era uma folha.
–Mãe eu me sinto muito só aqui, aqui só tenho amigos quando chove aqui mãe nunca chove.
A arvore incendiou-se, a folhas fora se tornando como chamas de velas dançando a vontade do vento. A menina levantou-se o vestido branco os cabelos loiros soltos. Alice queria dizer algo mais não sabia o que. Sentia cheiro de mofo entrando por suas narinas. A menina se virou e Alice viu seus olhos abertos. Sem globo ocular um buraco vazia de onde brotavam lagrimas escuras. A menina chorava e seu pranto partiu o coração da mulher.
Quis grita para a menina não chorar, mais não conseguia, logo a arvore parecia uma grande pira funerária com chamas tão altas que os olhos não conseguiam enxergar o fim. A menina ergueu a mão para Alice e chamou por ela... A nuvem de cinzas ficou mais densa e logo tornou o dia em noite... -Mãe que bom que esta aqui com a gente... Eu senti... saudades.
Sentada na cama Alice sentiu vontade de chorar olhou para a vela que já queimara ate metade a porta ainda fechada como ela deixara, respirou fundo e olhou para janela e quando seu olhar passava pelo quarto notou algo no chão. Alguém, a menina estava sentada de costa para ela parecia mexer algo no chão. Alice olhou para a penteadeira onde descansava sua arma.
-Não tenha medo mãe. Disse a menina em um tom de choro que só deixava Alice mal. Tentou se controlar desta vez aquilo era apenas continuação do sonho. Levantou da cama e andou devagar ate a menina, esperou que o quarto se tornasse algo tenebroso ou que das paredes brotassem mãos mais nada disso aconteceu o que deixou Alice com medo. Passou pela janela e sentiu o ar que vinha lá de fora. Olhou a janela desviando da menina sentada.
-Mãe. Disse a menina e quando ela olhou para frente à jovem estava a sua frente e estendia os braços agarrando ela pela cintura à face branca salpicos de sangue abaixo do queijo e olhos vazios. Alice assustou-se então... Estava ela sozinha em pé no quarto a luz de uma vela. Olhou para o chão e viu escrito com cinzas e caligrafia ruim, deformada.
-Peça perdão.
A fumaça, capitulo 1
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