Do lado de fora Alice sentiu o ar pesado da cidade, a constante fumaça, as duvidas surgiam em sua mente, qual sua ligação com a cidade? As coisas que via eram lembranças dela ou algum tipo de poder. A afinal quem era aquela menina que a chamava de mãe. Alice não sabia.
Andou sem rumo pela rua olhando as casas e percebendo as marcas se sangue no chão, rastros de corpos que se arrastaram ate morrer desviou algumas vezes de marcas de sangue como se desvia de uma cova no cemitério e parou em frente ao poste de onde pendia o fio da antiga caixa de som. Olhou para o alto e viu um besouro saindo da caixa. Ainda havia vida neste lugar?
Foi parar mas perto do poste e esticou a mãe para agarrar o pedaço de fio sentiu-o nas mãos, porem nada aconteceu.
-Vamos. Disse sem obter nem resposta. –droga. Já ia largar o fio quando pensou. Quando olhava os quatros procurava alguma reposta de como sair dali, seria isso? Porque agora não sabia bem o que procurar. Pensou. Segurou o fio de novo e disse para si mesma.
-Como sai deste lugar?
Vozes, pessoas por todo o lado no chão nem uma marca de sangue o fio saia da caixa e seguia ate o fim da rua em uma casa por onde mais fios saiam para toda parte. Uma musica caipira entoava da caixa. Alice não se via era como em um sonho.
-Bom dia São Judas. Disse uma voz rasgada na caixa de som a musica agora era ouvida no fundo. –Já e hora de ir para a lavoura mais antes vamos conversar com um de nossos amigos, seu José Arimatéia. –Bom dia seu José.
-Dia.
As pessoas pararam com suas ferramentas de frente a caixa de som; outros seguiam andando mais ainda ouviam.
-As pessoas dizem que o senhor vai embora e verdade?
-E sim.
-Podemos saber por quê?
-Bem. a musica de fundo baixou ate sumir. –Como todos aqui eu tenho sonho de ter minhas próprias terras, minha lavoura não quero trabalhar para os outras a vida toda.
-Mais aqui o senhor não pode crescer?
-Não, o nosso padrão não nos dar esta chance; acho que o que ele paga pra gente e injusto; já falei com ele, disse que tem as despesas da fazenda manter nossa igreja. O locutor ia falar mais José continuou. –Mais vocês viram os carros que ele comprou três para a fazenda e um para ele.
-Para onde vai?
-Vou para algum lugar onde a terra não tenha dono, levo os grãos que guardei e vou começar algo meu.
-Mais e as despesas o senhor ira trabalhar sozinho, ate onde sei o senhor mora só. Pode-se se ouvir o som do riso de José.
-Não; alguns amigos vão comigo minhas esperanças só dependem de uma coisa. Da chuva você já percebeu que o rio que irriga o milharal estava sempre cheio. Isso por que chove em algum lugar para encher ele e para lá que eu vou.
As palavras de José soaram como musica nos ouvidos de algumas pessoas outras balançaram a cabeça como se fosse aquilo o maior sacrilégio do mundo mais em vim ele estava conseguindo pessoas para sair com ele, era desta saída que Agatha falava.
-Achou o que procurava. Agatha perguntou, estava em pé no meio da rua.
-Você veio me ajudar ou esta zombando de mim?
Agatha moveu o canto da boca como se fosse sorrir mais não sorriu olhou para Alice e depois para a caixa de som no poste. Agatha se aproximou da mulher com passos lentos enquanto a moça se agachava encostada no porte.
-O que você já sabe? Agatha parou ao lado de Alice, sombras se moveram na fumaça mais nem uma das duas deu atenção.
-Por que você simplesmente não me diz como sair? Ela perguntou tirando o cabelo do rosto de deixando aparecer à face preocupada.
-Não posso. Agatha bateu três fezes com a bengala no chão e depois desenhou algo com ela. –Não disse aos outros não posso dizer a você.
-Então pode voltar pra sua igreja. Alice olhou o que ela desenhava era algo como uma seta.
-Me diga o que você já sabe?
-Eu. Alice não queria falar. –Sei que foi um homem, José de Arimatéia que começou com a idéia de ir embora, mais porque o fazendeiro os matou só por isso?
-Hum. Agatha terminou a seta e apontava para o caminho da casa grande. –Isso eu não sei responder sei que. Este José incentivou o povo a procurar o lugar melhor com esperança na...
-Chuva. Disse Alice olhando a seta que Agatha tinha feito seria uma mensagem para ela.
-Isso a chuva no dia em que que saíram da cidade saíram cantando uma canção que falava sobre chuva. O radio tocou e o povo acompanhava então os carros da fazenda bloquearam a saída.
-E tão simples Agatha. Alice levantou e olhou para a mulher. –Apenas diga.
-Não, os mortos ficariam furiosos eles não querem que você vá, estão depositando e você alguma esperança para acabar com o tormento deles.
-A alguns dos mortos aqui agora? Alice quase gritou a palavras. Desta vez Agatha sorriu e virou as costas. Olhem em volta.
Alice olhou para um lado e para o outro e não viu nada, do que esta louca esta falando? Então abaixou a cabeça para olhar para a seta foi quando viu por toda parte marcas de pés descalços.
-Deus. Exclamou. Não estava sozinha então eram os mortos que lhe davam as lembranças só podia ser.
-Acho que eles estão me ajudando. Falou nervosa
-Estão sim, só não deixe eles entrarem muito fundo em sua cabeça. Apenas a voz de Agatha chegou do meio da fumaça
Olhou mais uma vez para a seta e resolveu seguir o caminho que ela indicava ao longo do caminho vez em quanto surgiam marcas de pés no chão.
Ao se aproximar do local onde antes era o milharal Alice sacou a arma da cintura e levou ela nas mãos passando de uma a outra ocasionalmente, estava perto da casa grande e seu novo amigo poderia esta por perto. Entrou no campo onde antes era a plantação.
Raízes queimadas no chão seco, ela andava por um pequeno caminho imaginando que no passado havia carreiras de milho a direita e a esquerda olhava tudo em volta procurando por respostas, folhas antigas pelo chão; vitimas do fogo, percebeu que ali sentia o cheiro de fumaça.
Viu em sua mente, mãos com tochas improvisadas ateado fogo na palha do milho... o fogo facilmente se alastrando e tomando conta de toda a plantação do alto se via o grande ponto vermelho no meio do nada.
Mais alguns passos. Olhou para traz para ver se não era seguida, ninguém, olhou o chão e viu mais passos alem do dela só que desta vez eram passos de crianças. O olhar seguiu as pequenas marcas no chão que seguiam passando por ela. seguiu os passos. Entraram pelo meio da plantação ou o que sobrou dela alguns segundos andando e as marcas paravam abruptamente.
No chão uma pequena fotografia apanhou e olhou bem para o objeto, uma mulher na foto segurando um bebe.
-Pesa perdão. A voz masculina e sufocada sussurrou no ouvido de Alice , ela viu então o milharal em chamas e aquela mesma jovem mulher da foto correndo entra o fogo com o bebe no colo procurando uma saída, suava e chorava.
-Alguém. Gritava ela mais não surgia socorro, a fumaça a fazia tossir o bebe em seu colo chorava desesperadamente. Corria de um lado para o outro mais o fogo a cercava no fim sem forças ela caiu sem fôlego deixando o neném rolar de seus braços.
Alice saiu da visão sentindo algo se mover em sua mão. Mais ante que pudesse ver o que era foi arrebatada de novo para dentro de sua mente.
As palhas balançavam ao sabor do vento criando um som fantasmagórico também havia o som de um pequeno riacho que corria perto, os alguns trabalhadores estavam em circulo conversando sobre algo, entre eles a mulher da fotografia.
-Vocês querem ir embora comigo. Disse José dos olhos azuis, as pessoas confirmaram com a cabeça. –Então escutem o que eu tenho a dizer. As pessoas estavam atentas ao velho homem. –Quando chegamos aqui esta fazenda estava caindo aos pedaços, lembram? Elas confirmaram homens e mulheres. –Sim nos concertamos coisas, limpamos o lugar se esta fazenda e limpa e conservada hoje e por nossa causa; acho que devemos. Parou temperando a garganta. –Devemos ganhar algo, alguma gratificação não podemos sair daqui de mãos vazias.
-Mais o que nos vamos levar. Disse um jovem de sotaque arrastado.
-Não sei, vou falar com o coronel a respeito mais acho que o certo seria parte do lucro da fazenda.
Alice viu nos olhos de José um fogo estranho, um mal incomum nos homens da terra sentiu que estava no caminho da verdade então acordou de novo e olhou para a mão.
No lugar da foto havia um dedo humano, pingando sangue e se movendo na mão de Alice que se assustando lançou-o no chão. Depois era apenas uma fotografia.
-Vocês querem ajuda, me digam o que fazer. Gritou ela, levou a mão a pouco e censura por ter falado tão alto com certeza ele teria ouvido. –Me digam o que fazer.
-Pesa perdão. Disse e agora a voz era feminina junto com a voz um choro infantil.
-Pessoas morreram aqui, morreram na rua principal e o que eu posso fazer? Virou-se procurando alguém. –Pedi perdão para quem?
-Forasteiro. Disse agora um coro de vozes Alice se sentiu tonta sentiu gosto de sangue na garganta passou a mão na boca para limpar a saliva e notou que as cosas de sua mão ficara vermelha.
-Só não deixe eles entrarem demais em sua cabeça. Lembrou das palavras de Agatha. Talvez isso não fosse bom mesmo. Mais o que faria ela se não entendesse o que eles tentavam lhe dizer, ficaria louca se tentasse apenas decifrar. Pedir perdão! Mais para quem. Então Alice ouviu ao longe uma buzina.
Parou para ouvir pensando se não teria se traído, se enganado... Outra buzina alta e forte era um caminhão.
-A pista. Disse ela começando a andar, colocou a arma na cintura e logo estava correndo.
Retratos Da Cidade capitulo 4
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