Jonas já estava ficando impaciente mais de uma hora se passaram e a nevoa não diminuía Alice tentava falar sobre outra coisa mais o menino retornava no assunto de ir para casa então se levantou limpando o fundo da calça.
-Temos que ir minha mão deve esta preocupada. Aproximou-se da bicicleta e segurou-a pelo guidão.
-Não, vamos esperar.
-Vamos é só irmos em linha reta a fazenda esta perto.
-Eu. Ela parou engasgada com as palavras, queria dizer que já ira e linha reta foi a primeira coisa que fez mais em linha reta não dava pra sair.
-Vamos. Ele sorriu pedindo no sorriso, por favor, que ela o seguisse e quando o menino começou a empurrar a bicicleta aconteceu.
Um som confuso encheu o ar, uma canção tocada em uma viola, hora clara como se o violeiro tocasse bem próximo deles e horas tão bagunçadas que mais parecia uma radio fora do ar. Alice se arrepiou.
-O que e isso? O menino perguntou sentindo também no corpo algo ruim. Ela olhou para o poste onde sabia ter uma caixa de som e viu a caixa e por sorte o menino não a viu, estava rodeada de abelhas e sangrando como se ali dentro repousasse o pedaço de um corpo. O sangue descia pelo mastro e formava uma posa ao pé vermelho vivo. A neblina começou a se afastar deixando a rua livre.
-Jonas. Quis dizer que era hora de ir embora mais a boca ficou aberto sem nada falar afinal não havia vento e a neblina simplesmente afastou ficando a alguns metros de distancia.
-Jonas e melhor sairmos daqui. Disse ela levantando, o vidro espatifado no chão se unia novamente voltando para a janela, o sangue seco no chão voltava a umidade e depois sumia no solo.
-O que esta havendo? Jonas soltou a bicicleta assustado nem a ouviu cair, a musica ficou mais alta, algo tocou o rosto de Jonas ele levou a mão para o rosto para ver o que era. Ao olhar a ponta do dedo viu que era cinza. Alice olhou para o alto e mais daqueles pontos desciam, alguns flamejantes.
-Venha e melhor sair daqui. Ele já estava concordando com a idéia quando viu na esquina mais próxima pessoas...
Passos lentos, cabeça baixa ferramentas nas mãos de alguns crianças que não estavam lá nos braços e algumas mulheres, chapéus, pés descalços e um murmúrio fraco.
-Droga. Alice exclamou andando ate o menino e o puxando pelo braço quando tentou entra no bar viu o irmão do Coveiro, ele levantou a cabeça e ela viu seu rosto, carne solta, olhos vermelhos narinas sangrando os lábios rasgados em um sorriu sombrio.
-Não os atraia para cá. Ela ouviu a voz dele em sua mente então a porta do bar se fechou. –Pulta. Disse ela virando-se para o povo. Já tomavam a rua mais ainda não os tinha visto... a musica no radio ficou mais alta e mais insuportável.
-Venha. Ela puxou o menino pelo braço para o outro lado da rua tentando não fazer barulho, as cinzas cobriram seu braço e seus cabelos; empurrou uma porta e entrou encostando-a.
-Quem são eles? O menino estava ficando assustado agora permanecia agarrado ao braço de Alice que sentiu no toque o apoio que ela precisava para não enlouquecer.
-São os donos da Cidade. Ela disse o que não fez sentido para ele, mais não ouve mais nem uma questão. Logo se ouvi os passos deles próximo a porta.
-O que esta havendo? Ele exclamou mais quase que imediatamente a resposta veio na sua cabeça. “São fantasmas e isso”.
-Não diga nada fique quieto. Alice passou o braço em volta do menino querendo protegê-lo e inconscientemente achando que isso poderia protegê-la também. Lá fora um silêncio mortal se estalou. Ela podia ouvi a respiração de Jonas e a sua também ele suava frio.
-Perdão. Um coro desconexo começou o que fez Jonas assusta-se Alice o abraçou mais forte para passar um pouco de segurança mais ela mesmo tremia. –Perdão. As vozes guturais repediram. Mais um momento de silêncio.
Devagar Alice e Jonas foram se abaixando e sentando no chão, abraçados o silêncio lá fora agora dava lugar o um murmúrio fraco um gemido continuo que anunciava o pior, Alice imaginou quantas vezes aqueles fantasma repediram aquele momento, quase teve pena deles em sua busca pela paz.
-Quero ir embora. O menino disse em um tom quase suplicante Alice olhou para ele e viu em seu Lugar a menina Loira replica sua, os olhos sem globo a boca suja de sangue. –Faz muito tempo que eu quero ir embora. A menina falou expelindo gotas de sangue no ar. Alice apertou os olhos e quando abriu era apenas Jonas, o menino olhava com olhos desesperados para a porta.
-Não tenha medo. Disse ela mais quem diria para ela não ter medo?
Do lado de foram os murmúrios aumentaram em um coro doentio de homens e mulheres repletos de dor que pedia perdão. Então se ouvi o som de tiros, tiros fantasmas. Jonas apertou os braços em volta da mulher.
Passos, pessoas correndo o som de corpos caindo pelo chão alguém se chocou contra a porta do lugar onde eles estavam, Alice ergueu um pouco a cabeça para perceber que estavam e uma tipo de deposito de brinquedos, prateleiras de carros de madeira bonecas de plástico e pano, carinhos feitos de restos de lata, as bonecos também olhavam para um ponto distante mais não expressavam nada, nem medo nem angustia.
O som das pessoas correndo e caindo se chocando contra as paredes e os tiros duraram quase cinco minutos então tudo cessou.
-Acabou? O menino perguntou angustiado. Alice fez aquele velho sinal dos hospitais aquele psiu para que Jonas mantivesse o silêncio mais então era tarde.
A porta foi aberta por fora, uma mão branca magra se suja de terra e sangue abrira. Do lado de fora toda a multidão de mortos estavam de frente para a porta, os pés sem tocar o chão os olhos sem globo como a pequena menina, buracos negros sem fundo.
-Não faça nada. Disse Alice olhando para a pequena multidão do lado de fora da porta e imaginando o que viria a seguir.
-Peça perdão. Disse o coro não deixando Alice mentir em sua certeza.
-Estou com medo. Disse Jonas e Ela achou que eles iriam entrar e machucá-los mais eles ficaram apenas ali parados murmurando; os corpos mortos suspensos no ar o sangue escorrendo pelas pernas de alguns. Alice imaginou o seguinte, uma pergunta que nunca teria respostas. Se eles eram apenas almas, por que tinham, as marcas dos machucados e marcas de dor no rosto?
-Peça perdão. Disseram em sincronia.
A porta se fechou com um vento frio que percorreu a pequena loja de brinquedos. Bateu com um som seco da madeira e depois se abriu novamente deixando a luz entrar, não havia mais ninguém mais nada a não ser a nevoa fumaça.
UM NOVO VISITANTE capitulo 4
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