UM NOVO VISITANTE capitulo 2

Alice andou devagar vendo o pequeno corpo encostar uma bicicleta barra forte azul nos degraus da varanda, era um menino que chegava aos seus ombros cabelos curtos ruins, era um menino negro que torcia a camisa sem tira ela do corpo. Por um momento Alice esqueceu onde estava.
-Ola. O menino se virou ao ouvir a voz feminina e quase caiu ao escorregar na água acumulada.
-O... oi. Disse ela olhando para os lados. –Eu estava passando e esta chovendo forte então.
-Tudo bem. Disse Alice. –Também estou esperando a chuva passar. De repente a frase martelou sua cabeça. –Chuva.... Na garupa da bicicleta havia uma caixa de papelão fechada e amarrada com uma corda azul.
-Vocês esta indo pra onde? Ele perguntou notando que a chuva diminuía, chuva seria esta a resposta? Lembrou que quando ela chegou ali estava chovendo.
-Estou indo para a fazenda grande...
-Fazenda grande. Alice interrompeu. –Do fazendeiro José.
-E sim por quê? O menino estranhou a pergunta de Alice então olhou bem no rosto a moça, em sua cabeça lembrou-se de ter entrando na casa e visto fotos com esta mesma pessoa. – Você não e a neta dele.
Um sorriso brotou no rosto de Alice como se aquele menino tivesse tirando ela do pesadelo que ela vivia.
-Sou sim.
-Puxa ta todo mundo procurando a senhora.
-Você. Ela disse andando mais para perto da escada.
-Você, seu pai eu acho liga de São Paulo toda hora o que aconteceu?
-O carro quebrou e o celular ficou sem bateria. O que não era mentira naquela altura dos acontecimentos.
O menino olhou para ela e pensou sobre o assunto, então se chegasse na fazenda com a pessoa que eles estavam procurando ficariam felizes com ela não ficariam?
-Podemos ir, eu a acompanho a pé vai levar mais tempo... ai desculpe sou Jonas.
- Alice, Jonas sou Alice. Estenderam e apertaram as mãos.
A chuva caia mais suave agora quase garoa, parando lentamente e Alice observava que a medida que a chuva ia parando a fumaça voltava ao lugar lembrou de esta com pneu nas mãos e não achar a cidade e depois ao virar de costa a cidade surgiu. Na hora da chuva.
A água foi parando de cair do céu Jonas virou-se para olhar para a chuva e notou a fumaça se aproximar ficar mais densa, fumaça que para ele era nevoa; Alice notou que ele abraçou o próprio corpo.
-Neblina? Exclamou com temor na voz. E não era só, a fumaça; a cidade envelhecia surgiam as marcas de sangue. Ela quis dizer que não era Neblina que era fumaça de um milharal queimado a mais de cinqüenta anos mais nada disse. Acordou então para a realidade o pobre Jonas estava preso com ela naquele lugar.
-Já tinha ouvido falar de neblina mais só nas conversas que seu avo pelo telefone.
Alice se aproximou do menino e tocou seu ombro de leve.
-Não se preocupe Logo passa. Sentindo confiança ela se aproximou mais era bom sentir outra pessoa perto dela ainda mais uma que tinha contato com sua família, faria ela se sentir acordada, viva. –Ai poderemos ir embora, mais me conte como esta minha família?
Jonas andou deixando a mão de Alice no ar e sentou-se no primeiro degrau bem ao lado da bicicleta olhou para Alice como se a convidasse para se sentar. Ela andou olhando e vendo sombras correndo na fumaça.
-Estão bem a colheita promete ser lucrativa. Sentou-se. –A chuva e mais regular este ano não é escassa como no ano passado.
-Você estuda Jonas? Ela perguntou por perceber o tom a certeza com que ele falava.
-Estudo sim, pela manha na cidade e a tarde faço estes trabalhos com meu pai e ouso o que eles dizem seu avô e uma pessoa muito boa. Meu pai disse que ele falou que.
De repente o menino tomou uma postura imitando o pai que imitava o chefe avo de Alice ao falar.
-Espero que seu filho se interesse pelos trabalhos na fazenda acho que ele pode ser mais que um simples peão.
-Acho. Alice tocou o braço do menino. –Que meu avô tem toda razão você e muito inteligente.
-Obrigado. O menino não ficou vermelho devido ao tom da pele mais sentiu o sangue passear pelo rosto. Pelo canto do olho o menino viu sombras se moverem na neblina, o que ele pensava ser neblina.
-Tem alguém aqui?
-Não, quer dizer tem uma mulher mais ela deve estar- pensou na igreja e disse – casa dela.
-Tem pessoas que moram aqui? O menino virou-se para Alice com ar serio notou nele uma preocupação crescente.
-Sim por que você não conhecia esta cidade?
O menino ficou quieto abaixou a cabeça por alguns estantes como se pensasse no assunto ficou assim por alguns segundos e depois falou ainda olhando para o chão.
-Uma vez eu passei por aqui voltando do posto como faço hoje. Alice imaginou que seria o posto de João. –Então vi esta cidade mais como chovia muito queria chegar em casa logo já faz muito tempo isso.
Chovia, a palavra chuva reverberaram na cabeça de Alice só podia ser isso tinha que ser isso. Lembrou também de estar no posto de gasolina e João lhe dizer que ela não encontraria a cidade e foi o que aconteceu, vazia sol, depois quando ele disse que era hora de ir o tempo estava fechando e logo choveria.
-Ele sabia. Alice sussurrou tão baixo que o menino não a ouviu.
-Falei para meu pai sobre a cidade por onde tinha passado ele riu dizendo que não tinha cidade nem uma entre o posto e a fazenda, e ainda fez piada. O menino olhou para Alice que tinha o olhar perdido. Notando que ele a observava ela olhou nos olhos deli.
-Sim.
-Voltei aqui depois e por um bom tempo não achei esta cidade, você acredita nisso? O tom dele era de chateação ela apenas balançou a cabeça confirmando.
-Hoje parei quando vi a cidade e a mesma daquele dia mais por que não a achei-nos outros dias? Alice respirou fundo mais nem por um momento pensou e contar a verdade ao menino.
-Talvez um caminho diferente eu mesmo acho que peguei a estrada
errada. Jonas levantou-se andando ate o estrada e olhando para os dois lados.
-Eu vivo aqui dês que nasci e dês que nasci venho com meu pai ao posto e aos lugares pra fazer compra, não existe outra estrada.
Alice pensou em algo para dizer e nada lhe ocorreu, de repente aquela alegria estava lhe abandonando o mesmo menino que a tinha tirado do pesadelo a estava levando de volta pra ele.
-E sabe do que mais? Ele indagou colocando a mão no queijo. –Esta rua aparece em um retrato da casa de seu avô.
-Como? Alice estranhou o que o menino disse não se lembrava de nem um quadro assim.
-E sim na sala a senhora não viu. O menino olhou para as casas de cada lado e apontou. –E sim todas estas casas a foto mostra acho que daqui. Disse ele sinalizando a partir de onde eles estavam.
-Quando voltar vou perguntar para o seu José que Cidade e esta e bom a senhora esta aqui poderá provar que ela e real. Ele sorriu.
Ela sorriu de volta mais não achou que ela seria prova de que a cidade existia naquele momento eles mesmo não existia junto com a cidade. Jonas sentou-se ao Lado de Alice e Perguntou.
-Vamos esperar a nevoa baixar para ir embora?
-Sim vamos. Ela falou e Jonas sentiu um certo pesar no tom de voz dela.

0 comentários:

 
© 2009 | Marcos Antonio (Escritor) | Por Templates para Você